Frase de Alan Duca

Frase adicionada por Duke em 02/10/2025


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Preço Fixo

Nas gôndolas jazem fêmures tingidos em verniz,
a plástica cor fulgura, fosforescência vil,
e o cadáver enamorado, roendo a gengiva gris,
balbucia ao vento podre: “descansa nunca, febril!”.

O shopping, cemitério de luz elétrica e engano,
abre-se como útero pútrido de consumo eterno,
onde a larva da moda, com sorriso profano,
ceia do fígado humano no balcão moderno.

Sobrevoa o corvo negro, crocitando o caos,
mas o povo, com riso idiota, não lhe dá ouvido;
o tilintar das moedas é mais alto, é mais atroz,
e enterra o grito lúgubre do bicho perdido.

Rastejam todos, ávidos, feito minhocas no Louvre,
festejam vitrines como altares de ilusão,
o lucro é missa negra que, em coro, os envolve,
sugando da carne pobre a última pulsação.

E a penumbra, aflita, ergue o dedo carcomido,
aponta os convivas da ceia mais sombria:
mastigam a própria sombra num banquete perdido,
Um “thriller” macabro, sem fim, sem liturgia. (Alan Duca)
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Alan Duca
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O sentimento da vingança é tão agradável, que muitas vezes o homem deseja ser ofendido para se poder vingar, e não falo apenas de um inimigo habitual, mas de uma pessoa indiferente, ou até mesmo, sobretudo em alguns momentos de humor negro, de um amigo.

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