Frases de Memória (adicionadas pelos usuários)


Maria Luz
“Era o meu melhor, maior e mais sincero Amigo, o que me pegou ao colo, me embalou, limpou as minhas lágrimas, me deu os abraços mais verdadeiros e sentidos até hoje, o homem que foi e é meu pai, que me amou, sempre e incondicionalmente, completará 75 anos, distante da minha visão, mas dentro do meu coração, das minhas memórias vivas e sentidas...
Mesmo meu pai estando noutro plano eu consigo senti-lo, o que para mim é um presente de Deus isso acontecer, pois de contrário seria ainda mais difícil aceitar esta perda...
Partiu, vai fazer 30 anos e com ele levou parte da minha alegria de viver... Sem ele aqui, o que era verdadeiro deixou de ser, os afectos ficaram superficiais, e por incrível que pareça, durante anos acreditei que o pilar da minha família seria a minha mãe, e foi na sua partida que poucos dias depois vi o quanto ele fazia falta na minha família, o quanto a essência dele era precisa, e que afinal o pilar de nós sermos uma família de afectos era ele...
Ele era o amor verdadeiro, o ombro de confortar, o olhar meigo, doce e emocionado, o abraço forte, seguro e pleno, o beijo sonoro e dado com vontade na face de suas filhas, as palavras duras que rapidamente se transformavam carinhosas e de esperança... ´
Meu pai afinal era amor, a vida da minha casa e eu na altura não reparei, não valorizei... Quanta cegueira, bem -feita agora sofrer assim...
Disse-lhe muitas vezes, que o amava mas outras falhei...
Não o demonstrei, amuei e guardei para mim...
Hoje desde sua partida, digo-lhe todos os dias que o amo e que me perdoe meus erros e minhas falhas... Não ouço a sua resposta, mas sinto no meu coração que ele me perdoou e que me ama incondicionalmente...
Todos os dias à noite olho o céu, e observo as estrelas e sei que aquela estrela que está mais cintilante no céu, que "pisca" sem parar, essa é a que me ilumina...
É o meu PAI.
Fazes-me muita falta paizinho...
”
Maria Luz
“A chuva cai, suave de mansinho e eu lembro-me de quando era criança. Adorava a chuva, pois podia molhar os meus cabelos compridos, encaracolado que depois abanava, sacudindo a cabeça de um lado para o outro… Gostava de fazer isso, pois achava imensa piada ver o Farrusco, que era o cão da casa do adro fazer e por isso imitava-o…
Que bom ser criança…
Lembro-me da minha avó me chamar a atenção “Maria Luz vais ficar doente”... Se o fizesse agora ficaria doente, mas nessa altura creio que não e depois era jovem, cheia de saúde e nada disso me importava. O que me importava era ser feliz, era viver e sentir a vida… O que não nos mata torna-nos mais forte não é verdade?
E sinceramente, como criança que era eu queria lá saber disso, parava no momento e respeitava a sua chamada de atenção, mas quando via que ela estava absorvida nas lides dela voltava ao mesmo, com a euforia e energia que em mim tinha…
A chuva fez-me sentir feliz na minha infância... Ela fazia pequenos lagos onde eu molhava os pés, e saltava para dentro e para fora, sabendo-me bem ficar toda chapinhada de água e lama… Nesses “lagos” que não eram mais que poças de água eu punha o patinho mais pequenino que a minha avó tinha e gostava de o ver abanar suas asinhas e mergulhar o seu bico … A mãe pata não gostava nada, mas creio que nunca se virou contra mim pois sabia que eu era uma criança traquina mas dócil com os animais … Com a chuva eu também tinha “grandes” rios de água que desciam a ladeira em catadupa, onde lançava os meus barquinhos de papel e via-os afundar-se depois de todos encharcados, naufragavam depressa demais…
A chuva cai, reavivo memórias, doces momentos, e sentindo a chuva a “picar” o meu rosto sinto a criança que em mim vive… Sinto a criança que fui, que sou e que viverá eternamente em mim!
”
Marcelo Monteiro
“CAPÍTULO XX
A NOITE NUPCIAL DA CONSCIÊNCIA.
Do Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A noite não chegou como ameaça
veio como véu.
Camille não a esperou
apenas ficou
e o escuro reconheceu nela aquilo que sempre foi seu.
Não houve testemunhas
pois toda união verdadeira acontece fora do mundo
a consciência não pediu permissão à razão
nem explicou-se à memória
ela apenas desceu até onde não havia mais nome.
O porão tornou-se câmara nupcial
não de carne mas de sentido
ali a sombra não foi negada
foi acolhida
como quem recebe enfim o rosto que sustentou a vida inteira.
Camille não lutou contra si
pois já sabia
toda guerra interior é atraso
a maturidade começa quando o eu depõe as armas
e consente em ser inteiro”
“Nessa noite não houve promessa
porque prometer é ainda temer
houve entrega
e na entrega a consciência deixou de se fragmentar
o que era dor tornou-se forma
o que era medo tornou-se escuta.
A sombra não lhe pediu absolvição
pediu presença.
Camille respondeu ficando
e ao ficar selou a união
não com palavras
mas com silêncio suficiente para sustentar o real.
Desde então ela não busca luz
pois a luz que se busca cansa
ela carrega dentro de si o escuro reconciliado
e caminha
não para fora
mas a partir do centro.
E assim a noite nupcial não termina
pois tudo o que é verdadeiro continua
e aquele que ousa unir-se a si mesmo
ergue no íntimo um reino que não desmorona jamais.
”
Maria Luz
“Tenho um ente querido com demência com quem falo frequentemente e às vezes pergunto-me se isso significa alguma coisa para ela... Minha tia paterna tem demência avançada. Ocasionalmente, quando falo com ela, uma palavra, música ou nome limpa o seu "nevoeiro" e ela parece ter alguns momentos de conversa feliz... Depois tudo volta ao mesmo, e é tão triste testemunhar a deterioração dela dia após dia... Ela adora as canções antigas e as da igreja... Ela não se lembra que eu a visito de longe a longe, mas sinto quando estou com ela que ela conhece-me, sabe quem sou, porque quando falo sobre os velhos tempos que vivi e passei com ela, o seu olhar fixo em mim e a faísca que às vezes vejo nos olhos dela significa tanto para mim... Fico com lágrimas a escorrer pela cara de dor e de tristeza, por ver como perdi a minha tia Maria, para um terrível ladrão de memórias e almas... Mas vou continuar sempre a tentar com a minha tia, sempre que possa e estiver com ela, mesmo que a mente dela me esqueça, em algum lugar no seu coração ela lembrar-se-á de mim, eu sei que sim,,, Eu sinto isso... Ela, nem ninguém merece esta doença... Viver por viver, sem sentido, sem vida...
Está viva, graças a Deus mas não vive a vida, apenas sobrevive a meu ver ... Que forma tão triste de viver... Qualquer forma de demência, ( porque também já perdi o meu sogro com a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), e agora a minha tia Maria sinto que perdemos o nosso ente querido muito antes do corpo deles morrer... Demência e Alzheimer criam tanta dor para todos os envolvidos... Alzheimer é uma doença terrível, é um ladrão de mentes e almas cheias de vida e histórias, que ficam inacabadas
Deus abençoe aqueles que os amarão durante este tempo que cuidam deles, e eu peço a Deus uma cura para esta doença devastadora... Um Devorador de mentes e almas!
”
Maria Luz
“Amor é sempre amor...Para o meu Pai.
Os entes queridos que um dia amamos nunca desaparecem, pois a sua memória e o amor que nos unia continua... Continuamos e continuaremos a amá-los eternamente!
Vou sempre amá-lo, acredito que um dia nos encontraremos novamente e até esse dia desejo-lhe toda a felicidade e amor e alegria que ele tanto merece noutro plano... Amor é sempre amor... Nunca se perde esse amor, o mesmo permanece para sempre... Esta é exatamente a minha maneira de pensar e estar com aqueles que eu amei, amo e amarei eternamente e que desapareceram da minha vida... Depois de anos de falecimento do meu pai, ainda não consigo dizer "meu falecido pai". .. Creio que não o direi enquanto viver, porque eu digo " O meu pai costumava dizer ou fazer isto ou fazer aquilo.
Eu creio que nossos entes queridos estão sempre connosco, apenas num "reino" plano diferente... Não se deixa de amar alguém que deixou este "reino" apenas tendemos a amá-los mais, não como quando estavam connosco, mas de maneiras diferentes... Para todo sempre vou amar meu precioso pai... Não posso colocá-lo no passado, porque ele caminha comigo todos os dias da minha vida.
Vou amá-lo até dar o meu último suspiro e vê-lo novamente no Céu... A saudade e o Luto infinito é o amor sem lugar para onde se possa ir ou estar... Amo-o tanto que as saudades me "matam" todos os dias... Sempre peço a Jesus que por favor me deixe estar com ele novamente um dia para o abraçar, sentir o seu abraço único e beijar seu rosto, olhá-lo nos olhos e dizer-lhe o quanto o Amava e não sabia e o Amo incondicionalmente... Até lá vou esperar com esta dor de alma, tendo fé que um dia isso acontecerá... Eu vou amá-lo para Sempre e Sempre!
”