Frases de Memória (adicionadas pelos usuários)


Maria Luz
“Hoje quando acordei e abri os olhos procurei o teu retrato como o faço diariamente... Sorri-te, abençoei-te e beijei-te dizendo baixinho, com a voz do coração Feliz dia do Pai...
Mas faço isso todos os dias, saúdo-te, beijo-te e desejo-te um dia feliz e abençoado aí no céu...Aprendi que o Dia do Pai é todos os dias, quando mostramos ao nosso "semeador" que no útero de nossa mãe semeou nossa essência e ao mundo nos fez chegar, o quanto o amamos e desejamos que ele seja feliz... Tu paizinho vives no meu coração e na minha memória… Hoje mais madura sei que tive o melhor pai do mundo, apesar de seus defeitos creio mesmo meu pai querido, que na nossa imperfeição está a nossa perfeição…Pelas tuas filhas tudo fazias, eras incansável…
Sempre presente, e apesar de teu mau feitio de repreender e da voz alta, nunca nos deixavas “abandonadas”, sem uma palavra, sem ajuda, sem nada fazeres… Hoje, entendo, que muitas vezes não era a melhor maneira que tinhas de agir, mas era como o sabias fazer, porque só querias o nosso bem e proteger-nos… Hoje que sou mãe e também já errei, compreendo, pois não vimos a este mundo com manual de instrução para ser pais… Tua recordação viverá eternamente no meu coração, pois é ela que o acalma e o faz sentir-se protegido e amado…
Hoje, amanhã e sempre eu quero recordar-me de ti paizinho… E só quero ter no meu coração o pai afetuoso, companheiro e meigo que eras… Quero que a lembrança e memórias que eu tenho de ti sejam eternas e que eu as honre sempre com amor enquanto viver…Sinto a tua falta, meu pai e sei que nunca vou deixar de sentir esta execrável saudade…Só peço a Deus que um dia voltemos a estar juntos seja no plano espiritual ou terreno, para sentir mais uma vez esse abraço tão pleno de amor e carinho, e podermos sentar-nos á sombra da velha cerejeira dando duas de conversa...
Amo-te paizinho!
”
Carlos Vieira de Castro
“O HOMEM DE RUA E O MANEQUIM…
(Ou como o sonho bem sonhado e sentido se pode tornar realidade)
Mal as luzes da cidade se iam incandescendo e a noite caindo a pique na cidade indiferente e fria; passavam gentes e arrumavam-se dele como se ali estivesse um cão sarnoso ou uma mortífera cobra cascavel, prontos a contaminá-los ou a mordê-los.
O certo, é que quase sempre e impreterivelmente àquela mesmíssima hora, ele lá vinha em pose teimosa e ar saudoso e pesaroso e quando chegava frente à montra, transfigurava-se e vestia um olhar de meiguice. Ele, mesmo, naquele pobre corpo sujo que pedia alimento e rejeitava sofrimento.
Adotava então uma posição de adoração, amorosa mesmo, e dialogava para o manequim vestido de noiva reluzente e este, Deus meu! respondia-lhe com meiguice.
Era o bastante para lhe acudir à memória já sem estória, o dia do seu casamento, a noiva de véu e grinalda e ele de fato de corte e estilo inglês, pose de cavalheiro cortês.
Lembrava também com amargura e muita revolta os empurrões e puxões para onde a vida falsa o catapultara: o desemprego sem receber um prego; o álcool que o abraçou; a família que o ignorou; a solidão e a rebeldia com que então ele casou.
Tudo isto e mais e mais ele continuava a contar com uma quase loucura à sua amiga manequim, confidente e nunca indiferente, apesar da sua indesmentível beleza e cabelos falsos, da cor do ouro pintados.
E não é, senhores, que de súbito ela desce do baixo pedestal em que a colocaram; abandonou a montra onde a postaram; vem cá fora ao passeio da rua a cheirar à trampa de muita gente; de muitas solas de sapatos que calcaram dejetos; dá o braço torneado, bonito, ao sem-abrigo, e lá seguem os dois, lado a lado, sorridentes, apaixonados e mesmo enlaçados.
Caminharam os dois, passeio adiante, pela cidade cada vez mais fria e menos sem gentes.
Foram, foram, até a um infinito da cidade e jamais os enxergaram de vista, até hoje…
”