Coleção de Frases e Pensamentos de ALESSANDRO DE ALMEIDA


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Alessandro Teodoro
Moleques meninos” mal alimentados por muitos sim, quase sempre viram esses homens moleques.

Os furiosos que rejeitam todos e quaisquer nãos.

Com tanto sim, atravessado goela abaixo — sim, ao ego, sim, à impunidade, sim, à ideia de que o desejo masculino é prioridade — muitos “moleques meninos” cresceram mal alimentados do essencial: frustração, limite e escuta.

Não aprenderam cedo que o não jamais é afronta, mas fronteira, limite…

Não é humilhação, é linguagem.

Não é convite à fúria, é exercício de humanidade.

Criados à base de concessões e silêncios forçados, confundiram afeto com posse, insistência com direito e desejo com autorização. 

E quando o mundo — especialmente as mulheres — ousa lhes negar algo, reagem como quem teve o prato retirado, não como quem foi chamado à maturidade.

O homem moleque não rejeita só o não: rejeita o espelho que ele oferece. 

Porque todo não bem colocado revela o que falta — e encarar a própria falta exige mais coragem do que gritar, ameaçar ou ferir.

Não, nem é só não, como dizem os muitos que fingem preocupação com as mulheres do nosso país…

Talvez uma das maiores e principais urgências do nosso tempo não seja ensinar mulheres a dizer não, mas ensinar homens a sobreviver a ele.

Porque o não, quando respeitado, educa.

Quando ouvido, humaniza.

E, quando aceito, transforma moleques famintos em homens capazes de conviver — e não de dominar.

Enquanto isso não acontece, o “Não” seguirá sendo resistência.

E a reflexão, uma necessidade inadiável.

Não é humano a aceitação medonha de que mulheres continuem sendo desumanizadas — no Brasil e no mundo — por causa de um “Não.

Alessandro Teodoro
Alessandro Teodoro
Quando a descuidada Vale do Rio Doce conseguiu tornar imbebível as águas de um rio, do qual quem bebeu jamais esqueceu, eu já suspeitei que ela era muito mal seletiva.


Mas quando ela fingiu indenizar uma parte da população valadarense, fingindo não ter aniquilado o Doce do Rio que também era da outra parte, ela aniquilou também a suspeição.


Há indignações que não nascem apenas do que vemos, mas daquilo que sentimos ser arrancado de todos nós.


Quando a lama tornou imbebível as águas de um rio cuja doçura acompanhou gerações, não foi só o sabor que se perdeu — foi a memória líquida de um povo, sua identidade, sua história escrita em correnteza.


Naquele instante, já não era preciso grande esforço para desconfiar da seletividade de quem, por dever, deveria zelar e reparar.


Mas o espanto maior veio depois, quando o teatro das indenizações começou a escolher rostos e CPFs, a dividir dores, a parcelar perdas como se um rio pudesse ser fatiado em zonas de sofrimento e leiloado por migalhas.


E ali, naquele gesto que soou mais como cálculo do que como cuidado, não foi apenas o Rio Doce que se viu diminuído — foi a própria confiança que secou…


Que foi para a lama.


Porque quando uma parte é acolhida apenas para que a outra seja silenciada, deixa de existir dúvida: o que se aniquila não é só o rio, mas o respeito que deveria correr com e como ele.


No fim, a indignação que sobra é também a que educa.


Ela nos obriga a olhar para além da superfície barrenta e perguntar: que tipo de sociedade permitimos construir?


E que tipo de humanidade ainda queremos salvar do fundo dessa lama contaminada que insiste em não decantar?⁠

Alessandro Teodoro
ALESSANDRO DE ALMEIDA
ALESSANDRO DE ALMEIDA

Membro desde: 22/06/2023

Biografia: Prefiro me preservar no Direito de não me Descrever para não tropeçar no infortúnio de me Enaltecer ou me Limitar.

Frase do Dia

Vença-me. Seduza-me. Fique comigo. Ah, faça- me sofrer!

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