Frase de Alessandro Teodoro
 | “ Moleques meninos” mal alimentados por muitos sim, quase sempre viram esses homens moleques. Os furiosos que rejeitam todos e quaisquer nãos. Com tanto sim, atravessado goela abaixo — sim, ao ego, sim, à impunidade, sim, à ideia de que o desejo masculino é prioridade — muitos “moleques meninos” cresceram mal alimentados do essencial: frustração, limite e escuta. Não aprenderam cedo que o não jamais é afronta, mas fronteira, limite… Não é humilhação, é linguagem. Não é convite à fúria, é exercício de humanidade. Criados à base de concessões e silêncios forçados, confundiram afeto com posse, insistência com direito e desejo com autorização. E quando o mundo — especialmente as mulheres — ousa lhes negar algo, reagem como quem teve o prato retirado, não como quem foi chamado à maturidade. O homem moleque não rejeita só o não: rejeita o espelho que ele oferece. Porque todo não bem colocado revela o que falta — e encarar a própria falta exige mais coragem do que gritar, ameaçar ou ferir. Não, nem é só não, como dizem os muitos que fingem preocupação com as mulheres do nosso país… Talvez uma das maiores e principais urgências do nosso tempo não seja ensinar mulheres a dizer não, mas ensinar homens a sobreviver a ele. Porque o não, quando respeitado, educa. Quando ouvido, humaniza. E, quando aceito, transforma moleques famintos em homens capazes de conviver — e não de dominar. Enquanto isso não acontece, o “Não” seguirá sendo resistência. E a reflexão, uma necessidade inadiável. Não é humano a aceitação medonha de que mulheres continuem sendo desumanizadas — no Brasil e no mundo — por causa de um “Não.” ― Alessandro Teodoro |
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