Frase de Alessandro Teodoro

Frase adicionada por ateodoro72 em 17/04/2026

Alessandro Teodoro
O que sobraria de nós, se pudéssemos desumanizar todos os que julgamos desprovidos de santidade?

Talvez restasse muito pouco — ou nada — não deles, mas de nós mesmos. 

Porque, ao retirar do outro a sua condição humana, não estamos apenas julgando; estamos também esculpindo os contornos do nosso próprio abismo. 

A desumanização nunca é um ato isolado: ela reverbera, ecoa, corrói silenciosamente aquele que a pratica.

É tentador acreditar que a falha alheia nos autoriza a elevar muros morais, como se pudéssemos habitar um território puro, livre das contradições que enxergamos nos outros. 

Mas essa pureza é uma ficção assustadoramente confortável. 

A linha que separa o “santo” do “profano” não é um muro — é um fio tênue que atravessa cada um de nós.

Quando negamos humanidade ao outro, fazemos isso porque reconhecemos, ainda que inconscientemente, algo dele em nós que nos incomoda. 

A imperfeição alheia funciona como um espelho indesejado. 

E, incapazes de sustentar esse reflexo, preferimos quebrá-lo — mesmo que isso custe a nossa própria integridade.

No fim, desumanizar é uma forma de fugir. 

Fugir da complexidade, da empatia, da responsabilidade de reconhecer que ninguém é inteiramente digno de santidade — e, ao mesmo tempo, ninguém é completamente destituído dela.

Se pudéssemos, de fato, retirar a humanidade de todos os que julgamos indignos, talvez descobríssemos tarde demais que éramos os últimos a permanecer… e já não haveria mais nada de humano em nós para sustentar essa medonha solidão.

Alessandro Teodoro

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O que sobraria de nós, se pudéssemos desumanizar todos os que julgamos desprovidos de santidade?

Talvez restasse muito pouco — ou nada — não deles, mas de nós mesmos. 

Porque, ao retirar do outro a sua condição humana, não estamos apenas julgando; estamos também esculpindo os contornos do nosso próprio abismo. 

A desumanização nunca é um ato isolado: ela reverbera, ecoa, corrói silenciosamente aquele que a pratica.

É tentador acreditar que a falha alheia nos autoriza a elevar muros morais, como se pudéssemos habitar um território puro, livre das contradições que enxergamos nos outros. 

Mas essa pureza é uma ficção assustadoramente confortável. 

A linha que separa o “santo” do “profano” não é um muro — é um fio tênue que atravessa cada um de nós.

Quando negamos humanidade ao outro, fazemos isso porque reconhecemos, ainda que inconscientemente, algo dele em nós que nos incomoda. 

A imperfeição alheia funciona como um espelho indesejado. 

E, incapazes de sustentar esse reflexo, preferimos quebrá-lo — mesmo que isso custe a nossa própria integridade.

No fim, desumanizar é uma forma de fugir. 

Fugir da complexidade, da empatia, da responsabilidade de reconhecer que ninguém é inteiramente digno de santidade — e, ao mesmo tempo, ninguém é completamente destituído dela.

Se pudéssemos, de fato, retirar a humanidade de todos os que julgamos indignos, talvez descobríssemos tarde demais que éramos os últimos a permanecer… e já não haveria mais nada de humano em nós para sustentar essa medonha solidão. (Alessandro Teodoro)
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