Frase de Alessandro Teodoro
 | “ Seria humanamente impossível se valer de um mau comportamento para relativizar outro sem se togar do mau-caratismo. A tentativa de justificar o erro com outro erro revela mais sobre quem argumenta do que sobre o fato em si. É como se a consciência, incapaz de sustentar a verdade nua e crua, buscasse abrigo na comparação: “se o outro fez pior, o meu não é tão grave assim”. Mas desde quando a gravidade de um ato deixa de existir porque há algo mais grave ao lado? O peso moral não se dilui por contraste — ele apenas se acumula. Relativizar desvios é uma forma sutil de normalizá-los. E a normalização do erro é o terreno mais fértil para a sua repetição. Quando alguém aponta o erro alheio para suavizar o próprio ou de alguém, não está defendendo justiça, mas tentando escapar dela. É uma negociação íntima com a própria consciência, um pacto silencioso onde a verdade é sacrificada em nome do conforto. O problema não está apenas na falha, mas na recusa em encará-la como tal. Porque reconhecer o erro exige coragem — uma coragem que dispensa comparações e aceita a responsabilidade sem muletas. Já o mau-caratismo, esse sim, precisa de referências externas, de exemplos piores, de histórias paralelas que sirvam como cortina de fumaça. No fim, quem relativiza não absolve ninguém — apenas se condena junto. Afinal, ao escolher medir o certo pelo errado, abandona-se qualquer possibilidade de integridade. E sem integridade, o julgamento deixa de ser moral e passa a ser apenas conveniente.” ― Alessandro Teodoro |
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