Frase de Alessandro Teodoro
 | “ Talvez o simples fato de alguém abrir um debate, já militando, já negue a honesta vontade em debater qualquer pauta. Há uma diferença sutil — e ao mesmo tempo bastante abissal — entre quem entra em uma conversa para compreender e quem entra apenas para vencer. O primeiro escuta com desconforto, com a humildade intelectual de quem admite não saber tudo; o segundo fala com a urgência de quem já decidiu tudo, antes mesmo da primeira palavra alheia ser dita. Quando o debate já nasce contaminado pela certeza inabalável, ele deixa de ser encontro e se torna encenação. Argumentos passam a ser munição, não pontes. Perguntas deixam de buscar respostas e passam a servir como armadilhas retóricas. E, nesse cenário, o outro não é mais alguém a ser compreendido, mas alguém a ser derrotado — ou, no mínimo, deslegitimado, demonizado e até desumanizado. Militar, no sentido mais rígido, é carregar uma causa com convicção. Mas quando essa convicção ocupa todo o espaço da escuta, ela se torna um filtro que distorce qualquer possibilidade de diálogo real. Tudo o que não confirma crenças pré-existentes é descartado, reinterpretado ou combatido. E assim, paradoxalmente, quanto mais se fala em debate, menos ele de fato acontece. O problema não está em ter posicionamento — isso é inevitável e até necessário. O problema surge quando o posicionamento antecede a disposição de ouvir, quando a conclusão vem antes da reflexão, quando o compromisso é mais com a própria identidade do que com a verdade. Talvez o verdadeiro debate comece apenas quando há risco. Risco de rever ideias, de ajustar certezas, de reconhecer pontos no outro. Sem esse risco, resta apenas o conforto das próprias convicções — e o eco previsível de quem nunca esteve, de fato, disposto a dialogar.” ― Alessandro Teodoro |
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