Frase de Alessandro Teodoro
 | “ Crime algum jamais subsistiria sem a conivência de parte do Braço Armado do Estado. Não se trata apenas de falhas individuais, mas de uma engrenagem descaradamente silenciosa que aprende a sobreviver nas frestas do poder. O crime organizado, por mais ousado que seja, não floresce apenas da ousadia dos criminosos; ele depende também da cegueira conveniente, do silêncio comprado e, às vezes, da cumplicidade travestida de autoridade. Quando o braço que deveria proteger passa a tolerar — ou negociar — com aquilo que deveria combater, a lei deixa de ser um limite e passa a ser uma escolha seletiva. E é nessa seletividade que o crime encontra o seu habitat mais confortável. Porque nenhum império clandestino cresce apenas pela força das armas ilegais; ele cresce sobretudo pela fragilidade moral das armas legais. O mais perturbador não é apenas a existência do crime, mas a naturalização dessa convivência. Aos poucos, o escândalo vira rotina, a denúncia vira ruído e a indignação vira cansaço. Assim, a sociedade aprende a conviver com o absurdo como se ele fosse apenas mais um detalhe inevitável da paisagem. E talvez seja justamente aí que mora a maior vitória do crime: quando ele deixa de depender apenas de seus próprios tentáculos e passa a respirar também pelos pulmões do próprio Estado. Porque, nesse estágio, o combate já não é apenas contra criminosos assumidos ou não — é contra a erosão silenciosa daquilo que deveria nos proteger deles.” ― Alessandro Teodoro |
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