Frase de Alessandro Teodoro
 | “ Quando a paixão flerta com uma mente fértil para convencê-la a pertencer a um grupo, pelo pertencimento ela compra qualquer narrativa para não traí-lo. A necessidade de pertencer é uma das forças mais antigas da condição humana. Durante muito tempo, estar fora do grupo significava vulnerabilidade, silêncio e até sobrevivência em risco. Talvez por isso o pertencimento ainda nos seduza com tanta facilidade. Ele oferece identidade, acolhimento e uma sensação reconfortante de não estar sozinho no mundo. O problema começa quando a paixão pelo grupo passa a exigir a renúncia do pensamento crítico. Aos poucos, a mente fértil — que deveria produzir perguntas, dúvidas e discernimento — passa a ser usada apenas para justificar aquilo que o grupo já decidiu acreditar. A inteligência deixa de servir à verdade e passa a servir à lealdade. Nesse ponto, não importa mais se a narrativa faz sentido. Importa apenas que ela preserve o vínculo. Questionar vira traição. Pensar diferente vira deserção. E assim muitas pessoas, capazes de análises profundas em tantas outras áreas da vida, tornam-se surpreendentemente acríticas quando o assunto toca o território do pertencimento. A paixão pelo grupo, quando não é temperada pela autonomia da consciência, transforma convicções em muros e narrativas em dogmas. E o mais curioso é que, muitas vezes, a pessoa acredita estar defendendo ideias, quando na verdade está apenas defendendo o medo de ficar só. Talvez maturidade seja justamente reaprender a pertencer sem se aprisionar — ter vínculos sem entregar a própria lucidez. Porque grupos podem oferecer abrigo, mas a consciência precisa continuar sendo território livre.” ― Alessandro Teodoro |
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