Frase de Alessandro Teodoro
 | “ Bastou o encardido encontrar o ponto fraco do povo — esse abismo sutil entre a religiosidade e o fanatismo — para politizar as igrejas. A religiosidade, quando saudável, nasce da consciência da própria fragilidade. Ela é ponte: liga o humano ao divino, o erro ao arrependimento, a culpa ao perdão. Já o fanatismo é muro. Ele não aproxima; separa. Não ilumina; incendeia. Não convida ao amor; convoca à guerra. Entre uma coisa e outra existe um terreno perigoso: o ego travestido de fé. É ali que discursos políticos encontram abrigo, não para servir, mas para dominar. Quando a fé deixa de ser transformação interior e passa a ser instrumento de poder exterior, o altar vira palanque — e o púlpito, trincheira. Não é a política que contamina a fé; é o coração que, seduzido por certezas absolutas, troca o Evangelho pela ideologia. O problema não está em cidadãos que creem participar da pública — isso é legítimo. O problema começa quando a fé deixa de ser farol moral e se torna escudo partidário. O fanático não se percebe capturado, acredita estar defendendo Deus, quando, na verdade, está defendendo homens. E homens passam. Projetos passam. Mandatos também. Mas o dano causado quando se confunde Reino com governo terreno atravessa gerações. Talvez o maior sinal de maturidade espiritual seja justamente este: saber que Deus não precisa de cabos eleitorais, nem de militantes inflamados, mas de consciências coerentes. A fé que se ajoelha não precisa gritar. A fé que ama não precisa esmagar. A fé que é verdadeira não teme perder espaço político, porque jamais dependeu dele para existir.” ― Alessandro Teodoro |
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