Frase de Alessandro Teodoro
 | “ Quando a autossuficiência do outro resolve flertar com a arrogância, toda e qualquer mão que lhe estenda — soa invasiva. Há momentos em que a autossuficiência deixa de ser abrigo e vira trincheira. O outro se convence de que basta a si mesmo, não por força, mas por medo de depender, e então qualquer gesto de cuidado é confundido com intromissão. A mão estendida, que nasceu para apoiar, passa a ser vista como ameaça; o afeto, como tentativa de controle. Quando a autossuficiência flerta com a arrogância, ela perde a escuta. Já não reconhece que ninguém caminha inteiro o tempo todo, nem percebe que a verdadeira força sabe aceitar auxílio sem se diminuir. O orgulho, travestido de independência, endurece o coração e isola mais do que protege. Ainda assim, a mão estendida não erra por existir. Erraria se endurecesse também. Há os que precisam aprender, no silêncio das próprias quedas, que apoio não invade — sustenta. E há os que precisam compreender que oferecer cuidado é virtude, mesmo quando não é acolhido. No fim, a maturidade mora nesse lugar delicado: saber estender a mão sem impor, e saber recolhê-la sem perder a ternura. Porque nem toda recusa é desprezo, e nem toda ajuda é invasão; às vezes, são apenas desencontros entre orgulho e necessidade.” ― Alessandro Teodoro |
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