Frase de Alessandro Teodoro
 | “ Pai, se não puderes passar de mim esse cálice, poupe-me ao menos dos amantes da espetacularização. Não temo os tropeços, as tempestades ou a morte — nem minha, nem dos meus — pois nenhum destes barulhos consegue ser mais ensurdecedor que o espetáculo feito deles. Há cálices que não doem pelo amargor do conteúdo, mas pelo coro que se forma ao redor deles. O tropeço ensina, a tempestade depura, a morte silencia — todas cumprem um papel sagrado no trato da alma. O que fere é o aplauso, o holofote aceso sobre a dor alheia, a pressa em transformar cruz em palco e lágrima em argumento. Quem caminha com fé não pede a ausência da noite, mas a dignidade do escuro. Não implora pela fuga da provação, mas pelo recolhimento necessário para atravessá-la. Há dores que só frutificam no segredo, há processos que se perdem quando exibidos. O espetáculo rouba o sentido; o silêncio, ao contrário, devolve profundidade. Por isso, minha súplica parece-me justa: se o cálice não puder ser afastado, que ao menos não venha acompanhado da plateia. Que a dor seja escola, não vitrine. E que o barulho venha do céu, não dos que confundem compaixão com curiosidade e fé com entretenimento. Amém!” ― Alessandro Teodoro |
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