Coleção de Frases e Pensamentos de Hélio Bulaimo


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Hélio Bulaimo
Na maioria das vezes, na África, vivemos uma teologia fabricada para nos acalmar, e não para nos construir.

Temos uma África na Bíblia onde o estrangeiro era servo; hoje, vemos o estrangeiro, em muitos casos, a dominar o africano — e ainda a ensiná-lo a suportar, dizendo que no céu não há dor nem ranger de dentes.
Mas é nesse mesmo céu que ambos habitarão.
Se o africano é de Cristo, e o estrangeiro também, então pertencem ao mesmo Senhor — o Dono do céu.

Temos uma África bíblica que foi despenseira de patriarcas e berço de povos, inclusive de judeus.
E ouso dizer: nem todos os judeus foram escravos no Egito. A teologia que muitas vezes nos é ensinada generaliza o que a própria Escritura apresenta com mais nuances.

Temos africanos na Bíblia que levantaram profetas do calabouço.
Temos uma África que acolheu o Cristo menino e seus pais na fuga de Herodes.
Temos um africano que ajudou Cristo a carregar a cruz.
Temos a rainha de Sabá, africana, rica, sábia, que honrou Salomão com presentes.
Temos um africano etíope, alto oficial, que foi batizado e voltou com dignidade para sua terra — não como inferior, mas como transformado.
Chamam-no eunuco, mas para nós, ele é africano.

Temos africanos entre os pais da Igreja.
Temos uma grande escola teológica em solo africano — Alexandria — onde homens como Apolo foram formados nas Escrituras.

Portanto, a África que muitas vezes nos pregam hoje não é a África bíblica — é uma África moldada por interesses coloniais, transformada em palco de missões mercantilistas, e não verdadeiramente cristocêntricas.

Hélio Bulaimo
Quando a Missão Vira Negócio

O processo missionário, em muitos casos neste país, deixou de ser serviço e tornou-se oportunidade.
O que deveria ser missão transformou-se em estratégia.

Curiosamente, a transparência administrativa pesa sempre mais sobre o pobre.
Para ele, exigem relatórios, explicações e prestação de contas.
Mas para aquele que tem ligações com o exterior, ou que vem revestido da autoridade do Ocidente, quase nada é exigido diante do africano.

Quase nunca vemos o seu extrato bancário.
Quase nunca sabemos como se administra aquilo que dizem ser “obra de Deus”.

Então surge uma pergunta inevitável:

Somos realmente filhos do mesmo Deus ou isto é apenas teatro religioso?

Falamos do mesmo céu, mas não conseguimos viver como irmãos nesta mesma terra.
Pregamos amor, mas praticamos distância.
Falamos de comunhão, mas mantemos hierarquias invisíveis.

E o mais doloroso é ver que alguns africanos, depois de formados fora da África, regressam como estranhos entre o seu próprio povo.
Voltaram com diplomas, mas deixaram a identidade no aeroporto.

Vivem entre nós, mas já não são de nós.
As portas que abrem raramente são para o povo; são para o próprio estômago e para a própria família.

Quando ensinam, muitas vezes não é para libertar, mas para criar dependência.
Quando instruem, não é para formar irmãos, mas para manter mercados.

Se a missão não gera irmãos, ela não é missão.
Se o evangelho não produz justiça, ele está sendo usado — não pregado.

Porque no Reino de Deus não existem missionários donos e africanos dependentes.
Ou somos irmãos, ou estamos apenas representando um papel religioso.

E Deus não precisa de atores.

Hélio Bulaimo
Hélio Bulaimo

Nascimento: 05 de Novembro de 1992 (33 anos)

Membro desde: 25/03/2016

Biografia: Hélio Bulaimo - Africano. Cursando Lic. em Ciências Políticas e Relações Internacionais; Teólogo formado pelas faculdades FATIN e Unieco no Brasil; fez lic. não concluida em letras e inglês pela Estácio de Sá no Brasil. Educação Interativa pela UniDomBosco no Brasil. Docente.

Frase do Dia

A mudança de costumes é o único meio de que dispomos para nos mantermos vivos e rejuvenescermos. É esse o objetivo da mudança de ares e do lugar da viagem de recreio.

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